Um grande Homem
Hoje eu vou contar para vocês a história do seu “Dito”.
Seu Dito sempre em sua grande sabedoria e humildade falava que tudo era “mundiar”, a chuva que era repentina era “mundiar”, o vento que corria as tardes era mundiar, o frio era “mundiar”, esquecendo-se sempre que o mundo tem diferentes estações em seus quatro cantos, porém e apesar de parecer que a história de seu dito é engraçada, ela não é, pois tem um final muito triste.
Conheci seu Dito na fazenda de um parente, um grande amigo hoje, trabalhei com ele durante anos e em todos esses anos seu Dito foi um companheiro, um trabalhador assim com eu.
O que mais me impressionava no seu Dito era sua disposição e bom humor, tudo estava bom, tudo estava bem, “era preciso trabaiá, o resto a gente dá um jeito”. Nessa simplicidade pude aprender muito com ele, a determinar limites sobre a própria existência, não sonhar tão alto “poi o tombo é grande lui”, a viver feliz com as pequenas conquistas do dia a dia, mas eu me perguntava quais são elas? E o vendo aprendi: “ora, vivê e vivê feliz com o que Deus dá, com o trabaio de seu suor e de suas força”.
Grande era sua força de vontade, pai de muitos filhos, todos muito bem educados e trabalhadores como ele, alguns ele “ajustou” pra trabalhar no campo, pra outros trabalhou duro pois a perspectiva era maior, queria “sê dotô”.
Tentei por várias vezes me colocar na vida de seu Dito, mas as circunstâncias eram diferentes eu tinha um conhecimento muito menor de vida que ele, então como comparar-me?Só pelo meu conhecimento de vida era impróprio, pelo que já havia estudado ou estar estudando, muito menos, esse não era parâmetro; Dessa forma aprendi a gostar do seu Dito na sua simplicidade, na sua força na sua tenacidade e na visão de vida que ele tinha, humilde mas indefectível.
Como dizia seu Dito, tudo era “mundiar”, morreu com o disparo de uma arma de fogo em um único momento na sua vida que lhe permitia ser só dele, depois do trabalho, ele parava sempre num mesmo lugar, na mesma hora (às vezes mais tarde, pois nem sempre se termina o trabalho no tempo determinado em uma fazenda), tomando uma pinguinha.
Sim seu Dito foi morto pela mesma idiotice que se propaga no mundo, a violência, um disparo infeliz - jamais seu dito seria alvo de uma bala, o alvo era outro.
È seu Dito, o senhor tinha razão, tudo é “mundiar”, dentro d’aquilo que entendo de mundo o do Sr era muito maior que o de muitos, o meu inclusive, pois andava de carro com ar condicionado e o Sr de baixo do sol; com as gotas de seu suor brotaram muito do que o Sr plantou e ainda germinam em minha mente.
Saudade do seu Dito!